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21/03/2013

21 de Março - Dia Internacional contra a Discriminação Racial

O dia 21 de Março é mais uma data que se integra ao calendário de lutas do movimento sindical. Trata-se do Dia Internacional contra a Discriminação Racial, instituído pela ONU (Organização das Nações Unidas), em alusão ao Massacre de Shaperville, ocorrido em 21 de março de 1960, na cidade de Joanesburgo, capital da à�frica do Sul.

Naquela data, 20 mil negros protestavam contra a lei do passe, que os obrigava a portar cartões de identificação, especificando os locais por onde eles podiam circular. E, embora o protesto fosse pacífico, tropas do exército se confrontaram com os manifestantes, matando 69 pessoas e ferindo outras 186.

Diante do massacre, a ONU instituiu a Declaração sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial, classificando como discriminação racial "qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada na raça, cor, ascendência, origem étnica ou nacional com a finalidade ou o efeito de impedir ou dificultar o reconhecimento e exercício, em bases de igualdade, aos direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos político, econômico, social, cultural ou qualquer outra área da vida pública".

Apesar da Declaração da ONU, o combate à discriminação racial segue a passos lentos, uma vez que o racismo, na maioria das vezes, ocorre de maneira velada.

No Brasil, onde 51% da população é formada por negros e afrodescendentes, as desigualdades persistem apesar dos avanços registrados nos últimos 10 anos, decorrentes das políticas afirmativas do governo federal.

Para se ter ideia, os negros representam apenas 20% dos brasileiros que ganham mais de dez salários mín­imos. A população negra também representa apenas 20% dos brasileiros que chegam a fazer pós-graduação no país.

Essa discriminação recai duplamente sobre a mulher negra, motivada por questões de raça e gênero. Dados publicados em 2012 pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) mostram que são 498.521 empregos formais de mulheres negras contra 7,6 milhões de mulheres brancas e 11,9 milhões de homens brancos. Além disso, a mulher negra ganha, em média, R$ 790 e o salário do homem branco chega a R$ 1.671,00 - mais que o dobro.

A trabalhadora negra continua sendo a que ingressa mais cedo no mercado de trabalho, comumente em atividades domésticas, e a última a sair. Mesmo quando sua escolaridade é similar à escolaridade da companheira branca, a diferença salarial gira em trono de 40% a mais para a branca.

Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), as mulheres negras têm um ín­dice maior de desemprego em qualquer lugar do país. A taxa de desemprego das jovens negras chega a 25%. Uma entre quatro jovens está desempregada.

O Instituto ainda aponta que as mulheres negras estão em maior número nos empregos mais precários. 71% das mulheres negras estão nas ocupações precárias e informais; contra 54% das mulheres brancas e 48% dos homens brancos.

"Nos bancos, a situação não é diferente, inclusive com o crescimento da diferença salarial entre homens e mulheres"�, afirma Crislaine Bertazzi, secretária de Políticas Sociais da FETEC/CUT-SP.

Segundo o Ministério do Trabalho, em 1994, as mulheres bancárias tinham remuneração média 21% inferior à dos homens. Os últimos dados disponà­veis de 2010 revelam que a diferença aumentou para 24%

"Na Campanha Nacional 2012, os bancários conquistaram o compromisso da Fenaban de realizar um novo censo para avaliar e favorecer a igualdade de oportunidades na categoria. O planejamento da pesquisa está previsto para esse ano e a aplicação, em 2014. O movimento sindical irá acompanhar de perto todo esse processo de forma a se avançar na luta contra as discriminações nos bancos"�, conclui a dirigente.

 

Postado pela Assessoria de Imprensa: 21/03/2013
Fonte: FETEC-CUT/SP

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