Ao som da Bateria Sangue da Vila, a Caravana percorreu seis agências bancárias, além de financeiras e cooperativas de crédito, dialogando com bancários e população sobre as consequências da redução da rede física e das demissões no setor.
Segundo o presidente do Sindicato dos Bancários de Taubaté e Região, Sérgio Leite, a cidade já contou com três agências do Itaú. Hoje resta apenas uma.
“Com as demissões, a alta rotatividade de funcionários e o fechamento das demais unidades, essa única agência ficou completamente sobrecarregada. Virou um verdadeiro tormento para clientes e bancários”, afirma.
Ele lembra que a instalação da tenda de atendimento em frente à agência foi uma reivindicação do Sindicato para amenizar o sofrimento da população durante a espera.
“A maioria das pessoas na fila é formada por idosos e clientes sem vivência digital. Muitos aposentados que antes eram atendidos pelo Banco Mercantil migraram para o Itaú, agravando ainda mais a situação. As agências das cidades vizinhas também perderam funcionários e já não conseguem dar suporte umas às outras. E hoje nem é dia de pagamento”, observou.
Sérgio destacou ainda que municípios como São Luiz do Paraitinga e Silveiras já não possuem nenhuma agência de banco privado.
Para a secretária-geral da FETEC-CUT/SP, Ana Lúcia Ramos Pinto, a cena vivida em Taubaté evidencia o desmonte do atendimento presencial.
“Estamos presenciando, ao vivo e a cores, o desmonte do atendimento humanizado. É o lucro esmagando a empatia e o bom senso. Deixar idosos, pessoas com deficiência e mães com bebês no colo em uma fila imensa demonstra o descaso dos bancos. Por isso é fundamental que a população abrace essa luta. Estamos sendo despejados das agências como trabalhadores e também como clientes.”
A diretora do Sindicato dos Bancários de Taubaté, Valquíria Tozetto, denunciou o avanço da exclusão digital.
“A violência digital não dá opção ao cliente. Com o desaparecimento das agências, as pessoas são obrigadas a usar canais digitais, mesmo quando não têm condições. É um abuso contra quem paga tarifas cada vez mais altas.”
O Feminicídio
Durante a mobilização, o diretor do Sindicato e locutor da Caravana, Valdir Machado, reforçou a campanha O Problema é Todo Nosso – Bancários contra o Feminicídio.
“Ou entramos nessa luta de verdade ou continuaremos vendo esposas, filhas e netas sendo violentadas, assediadas e assassinadas. Essa convocação é urgente. Já passou da hora de os homens se unirem às mulheres para enfrentar essa barbárie.”
Também presente na atividade, o diretor do Sindicato, Inácio Ibiapino, destacou que a organização coletiva continua sendo o principal instrumento de transformação.
“Não podemos perder a capacidade de sonhar com um mundo melhor. Mas isso exige consciência de classe, união e participação. É por isso que a sindicalização é tão importante. Essa luta sempre foi e continuará sendo coletiva.”
Fonte: FETEC CUT SP